segunda-feira, março 26, 2012

Criatividade


A crise da criatividade é reflexo da perda de contato com os arquétipos.

Esta imagem acima é extremamente semelhante a imagem dos Universos Paralelos tipo II. Em que vários universos existem como "bolhas de sabão". Muito bonito!

Observador

Qual é a mágica do observador que transforma as possibilidades em matéria?


O momento presente

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domingo, março 18, 2012

Pela primeira vez, neutrinos foram usados para enviar mensagem através do chão

Neutrinos são partículas extremamente pequenas, com massa quase zero e, como você poderia imaginar, carga neutra.

Sendo assim, eles são imunes às forças eletromagnéticas e respondem muito pouco à gravidade. Eles quase nunca colidem com outras partículas, geralmente passando através dos átomos que compõem a matéria.

Essas características são muito interessantes. Como essas partículas podem facilmente viajar através da matéria, mesmo um planeta, sem parar, diminuir de velocidade ou perder direção, os pesquisadores buscam uma forma de explorar sua capacidade de comunicação.

Agora, pela primeira vez, eles conseguiram usar neutrinos para enviar uma mensagem através do solo, soletrando a palavra “neutrino” em um código binário (de 1 e 0) de partículas.

Os feixes de neutrino normalmente vêm em pulsos, um a cada 2,2 segundos. Para fazer um “1”, os cientistas deixaram o feixe de neutrinos enviar seu sinal normalmente para o detector. Para fazer um “0”, eles pararam o feixe, fazendo-o perder um pulso. Assim, foram capazes de soletrar “neutrino” de uma forma que poderia ser lida por outros cientistas.

Para enviar essa mensagem, os pesquisadores utilizaram um acelerador de partículas do Laboratório Fermi, que fica em Illinois, EUA, para criar feixes de neutrinos. Essas partículas resultam da colisão em alta velocidade de prótons em uma parede de átomos de carbono.

Em seguida, eles enviaram este raio de neutrinos em direção a um detector de neutrinos, o Minerva, a cerca de um quilômetro dali, enterrado em uma caverna.



Detectando neutrinos

Como neutrinos raramente interagem com outras partículas, são extremamente difíceis de detectar. O Minerva contém camadas de diferentes materiais e, à medida que os neutrinos passam por elas, ocasionalmente, colidem com o núcleo de algum átomo, criando outras partículas que são visíveis para o detector.

Como já dissemos, a probabilidade de um neutrino colidir em algo é muito pequena. “Mas se você tem uma massa suficientemente grande no detector, isso irá ocorrer com boa frequência para obter um sinal. Um em cada 10 bilhões de neutrinos cria um evento de colisão”, disse o líder do estudo, Dan Stancil, engenheiro elétrico da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Aplicações

A técnica poderia ser útil um dia em situações onde métodos normais de comunicações não funcionam. Por exemplo, em um submarino em profundidade. “A água do mar tem condutividade elétrica, e, como resultado, ondas de rádio não penetram muito profundamente. Ter alguma forma de receber mensagens no fundo do mar seria interessante”, diz Stancil.

As moléculas na água em torno de um submarino poderiam servir bem como um detector de neutrinos. Como a criação de neutrinos hoje exige um poderoso acelerador de partículas, eles seriam capazes apenas de receber mensagens, não enviá-las.

Um dispositivo de comunicação como esse também poderia ser útil em caso de uma catástrofe que destruísse a infraestrutura existente.

No entanto, esse tipo de comunicação ainda está longe de ser prática. Além do sistema ser complexo e exigir aceleradores de partículas, que são caros, a intensidade do sinal de neutrinos diminui com a distância.

Ficção científica ou possibilidade real?

Ano passado, uma equipe do laboratório de física CERN, em Genebra, na Suíça, disse que os neutrinos viajaram mais rápido que a luz. A descoberta controversa desmentiria uma das teorias mais bem sucedidas da física, a teoria geral da relatividade de Einstein, que afirma que nada pode viajar mais rápido que a velocidade da luz.

Se (e apenas se) isso for verdade, objetos que podem quebrar este limite de velocidade cósmica poderiam também viajar para trás no tempo. Ou seja, os neutrinos podem ser viajantes do tempo.

Isso significa que um sistema de comunicações de neutrinos poderia enviar mensagens para o passado ou futuro.

No entanto, a maioria dos especialistas acha que os resultados do CERN foram uma anomalia causada por um erro de análise. Então, melhor não ter muitas esperanças.

fonte: http://hypescience.com/pela-primeira-vez-neutrinos-foram-usados-para-enviar-mensagem-atraves-do-chao/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29

quinta-feira, março 15, 2012

Novas evidências indicam que a meditação fortalece o cérebro

 
Atualizado em  15 de março, 2012 - 17:50 (Brasília) 20:50 GMT
Pesquisadores dizem que meditação permite processamento mais rápido de informações
Pesquisadores americanos descobriram mais evidências de que meditar fortalece o cérebro.
Estudos anteriores feitos pela Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos, já haviam sugerido que meditar durante anos torna o cérebro mais espesso e fortalece conexões entre células cerebro.

As novas pesquisas feitas pela mesma equipe californiana revelaram ainda mais benefícios associados à prática. Os resultados foram publicados pela revista Frontiers in Human Neuroscience.
O cientista Eileen Luders e seus colegas do Laboratory of Neuro Imaging da UCLA dizem ter encontrado indícios de que pessoas que meditam durante muitos anos têm quantidades maiores de dobras no córtex cerebral do que pessoas que não meditam. Isso poderia acelerar o processamento de informações.
A equipe também encontrou uma relação direta entre a quantidade de dobras e o número de anos durante os quais a pessoa meditou.
Isso pode talvez ser mais uma prova da neuroplasticidade do cérebro - a habilidade do órgão de se alterar, ou se adaptar, em resposta a estímulos externos.

Córtex

O córtex é a camada externa do cérebro e tem papel fundamental na memória, atenção, pensamento e consciência.
Os dobramentos corticais são o processo pelo qual a superfície do cérebro se altera para criar sulcos e dobras. Sua formação pode promover e melhorar os processos nervosos.
Presume-se, portanto, que quanto mais dobras se formam, maior a capacidade do cérebro de processar informações, tomar decisões e formar memórias.
"Em vez de simplesmente comparar pessoas que meditam com as que não meditam, queríamos ver se havia uma relação entre a quantidade de prática da meditação e o grau de alteração do cérebro", disse Luders. "Quer dizer, associar o número de anos de meditação com a incidência das dobras".

Testes

Os pesquisadores fizeram exames de ressonância magnética em 50 praticantes de meditação - 28 homens e 22 mulheres. Esse grupo foi comparado a outro, de não praticantes, com idade e sexo equivalentes.
Os praticantes haviam meditado em média 20 anos. Os tipos de meditação eram variados, entre eles, Zen e Vipassana.
A equipe disse ter encontrado grandes diferenças na incidência das dobras em participantes que praticavam meditação.
Para os pesquisadores, a revelação mais interessante foi a correlação positiva entre o número de anos de meditação e a quantidade de dobras, especialmente em uma estrutura do cérebro conhecida como ínsula.
Sabe-se que essa estrutura está associada às emoções humanas. E que lesões na ínsula podem resultar em apatia, perda de libido e alterações na memória.
"Talvez (a descoberta) mais interessante tenha sido a relação positiva entre o número de anos de meditação e a quantidade de dobramentos insulares".

Emoção e raciocínio

Luders mencionou estudos anteriores que indicam que a ínsula funcionaria como um integrador entre a emoção e o raciocínio.
"Pessoas que meditam são conhecidas por serem mestras em introspecção e consciência, assim como em controle emocional e autorregulação, então os resultados fazem sentido - quanto mais tempo alguém medita, maior a a incidência das dobras na ínsula".
Luders adverte que fatores genéticos e ambientais podem ter contribuído para os efeitos observados.
Ainda assim, "a relação positiva entre as dobras e o número de anos de prática dá suporte à ideia de que a meditação aumenta a incidência das dobras".

Colaboração de Marly Cartaxo. Obrigada!!

terça-feira, março 13, 2012

Átomo de antimatéria medido pela primeira vez

Cientistas fizeram a primeira medição de um átomo de antimatéria. Apesar de não ser muito precisa, essa medição representa o primeiro passo para estudar esse tipo de átomo em detalhes, o que é necessário para entender porque o universo é feito de opostos, matéria e antimatéria.
Pensa-se que todas as partículas de matéria têm parceiras de antimatéria, com a mesma massa, mas carga oposta. Quando os pares se encontram, eles se aniquilam e viram energia pura.
Os cientistas pensam que o universo era composto por partes iguais de matéria e antimatéria quando ocorreu o Big Bang, há aproximadamente 13,7 bilhões de anos. Mas conforme o tempo passou, a maior parte dessas partículas se aniquilou, deixando para trás uma base de matéria que virou as estrelas e as galáxias de hoje. Mas porque a matéria venceu esse duelo cósmico ainda é um mistério.



Armadilha da antimatéria
Em um estudo anterior, físicos do laboratório CERN conseguiram prender átomos de anti-hidrogênio por vários minutos, usando campos magnéticos para mantê-los suspensos.

Um átomo de anti-hidrogênio é análogo ao hidrogênio, o mais simples entre os elementos. Assim como o hidrogênio é composto de um próton e um elétron, o anti é composto de um antipróton e um pósitron (o parceiro de antimatéria do elétron).

Na nova pesquisa, os físicos descobriram que podiam aplicar raios de luzes microondas em uma frequência específica nos átomos de anti-hidrogênio, modificando seu spin (seu giro). Isso faz com que a orientação magnética da partícula mude, e sua “prisão magnética” dela deixa de existir.
Ou seja, o anti-átomo fica livre para voar e acertar as paredes da armadilha, que é feita de matéria. Quando ele colide com um átomo, é aniquilado, criando um evento que os cientistas conseguem detectar.

“Nós fizemos uma medição”, comenta Jeffrey Hangst, cientista do experimento. “Em matéria de precisão, não é tão perfeita, mas é única já feita com a antimatéria”.

Espectro da antimatéria

A teoria mais aceita sobre as partículas é o Modelo Padrão. “Nós sabemos que algo está faltando. Nós sabemos que não entendemos tudo sobre a antimatéria porque não podemos explicar o que aconteceu com ela depois do Big Bang”, explica Hangst.
A melhor hipótese dos cientistas é de que as duas partículas se comportam de maneira diferente, por exemplo, decaindo em níveis diferentes. A medição pode ajudar nisso.

fonte: http://hypescience.com/atomo-de-antimateria-medido-pela-primeira-vez

sexta-feira, março 09, 2012

Albert Einstein - Frases de um gênio

video

Física Quântica para todos (6)

O Princípio da Incerteza de Heisenberg

Obs: Como este pequeno artigo é destinado ao público leigo estarei colocando as ideias de forma bastante simplificada, e sem muito rigor em relação aos termos científicos padrões.

Werner Heisenberg

 
 O Princípio da Incerteza foi formulado em 1919 pelo físico alemão Werner Heisenberg e estabelece que não é possível ter simultaneamente a certeza da posição e da velocidade de uma partícula. Quanto maior for a precisão com que se conhece uma delas, menor será a precisão com que se pode conhecer a outra.  

É este o princípio que está na base da mecânica quântica.
Imagine que vc consiga isolar um elétron dentro de uma caixinha. Para observar este elétron jogaremos um pequeno feixe de luz dentro da caixinha. Como vimos nos posts anteriores a luz é tb vista com uma série de pequeniníssimas partículas, os fótons. Pensando nos fótons e no elétron como partículas, estes fótons ao interagirem com o elétron o arremeçariam para algum outro lugar dentro da caixinha, de forma que não conseguimos medir a posição sem alterar a velocidade.

Heisenberg mostrou que quanto mais precisamente tentamos medir a posição da partícula, mais informações perdemos em relação a sua velocidade, e vice-versa.
Não temos como ter as duas informações, da posição e da velocidade ao mesmo tempo.

Desta forma percebemos que na Física Quântica não cabe o conceito de trajetória. Para traçarmos a trajetória de uma partícula precisamos conhecer sua posição e sua velocidade a todo instante, coisa que como vimos é impossível. Na Física Quântica trabalhamos então com a ideia de salto quântico. As partículas simplesmente desaparecem de uma posição e reaparecem em outra, dependendo de sua mudança de energia, ao absorver ou emitir um quantum.

O físico Amit Goswami traz este conceito da incerteza em relação a posição (fixidez) e a velocidade (fluxo) para o contexto humano no livro O Médico Quântico. A fixidez seria representada na nossa mente pelo pensamento fixo, e a velocidade pelo fluxo de pensamentos. Perceba que quando vc se fixa em um pensamento vc perde o fluxo de ideias que podem se seguir, e da mesma forma se vc entra no fluxo, ao final de um tempo vc já nem sabe mais que pensamento originou toda aquela associação.

Tb pode-se relacionar a fixidez ao ego, fixo, condicionado, e o fluir podemos associar a criatividade e até a cura. Da mesma forma há sempre uma incerteza, não há como ter as duas medidas ao mesmo tempo. Se estamos mais no ego, perdemos o fluxo e a criatividade e vice-versa. Para isto o autor citado recomenda estar um pouco no ego e um pouco no self quântico, no fluxo, alternando Fazer e Ser, Fazer e Ser... Do, Be, Do, Be, Do, Be, Do.. que é uma de suas ideias centrais do Ativismo Quântico (como usar os princípios da FQ para mudar o mundo e a nós mesmos). 
Até a próxima!

sexta-feira, março 02, 2012

Professor leva ioga à prisão para combater violência e vício nos EUA

James Fox dá aulas em cadeias e escreveu um guia para detentos. 
Em entrevista, ele diz que no início a prática era vista como para 'maricas'.


Giovana SanchezDo G1, em São Paulo

Ele fica na mesma sala que homens condenados por homicídio, estupro, tráfico de drogas e outros tipos de crime, e consegue manter silêncio absoluto por, pelo menos, uma hora e meia. Há mais de 10 anos, o americano James Fox ensina técnicas de ioga e meditação para presos em cadeias dos EUA. Nesse tempo, ele conseguiu formar alguns professores de ioga e ajudou milhares a "mudar seu estado mental violento e compulsivo". Com até 20 alunos por turma, as aulas agora têm lista de espera.

[O G1 publica nesta quinta e sexta-feiras (1º e 2) a série 'Transformadores - pessoas que mudam o mundo', com histórias de gente que mudou a própria vida para melhorar a realidade de outras pessoas. Saiba quem são os personagens da série.]

Conheça o responsável pelo Prision Yoga Project (site em inglês):

James Fox atuando em prisão americana (Foto: Divulgação)James Fox atuando em prisão americana (Foto: Divulgação)

G1 - Quando você começou o projeto?
James Fox - 
Comecei o projeto há quase 11 anos, ensinando garotos de risco. Isso foi logo depois que virei professor de ioga e sabia que queria focar na karma ioga. Eu me interessava pela prática que buscava levar a ioga para a população que não tinha acesso. Então comecei a ensinar em uma instituição de recuperação de jovens infratores. Eram jovens que tinham problema com a família ou com a lei e muitos deles tinham problemas psicológicos, tomavam remédios fortes. E foi lá que eu comecei. Eram 24 garotos de 12 a 18 anos. Ensinei por aproximadamente 6 anos.

Um ano depois de ter começado esse programa, uma organização não governamental que fazia trabalhos para centros de detenção juvenis me chamou. Ensinei lá por alguns anos. Uma outra organização que fazia trabalhos na prisão estadual de San Quentin, na região da baía de São Francisco, estava montando um programa multidisciplinar de reabilitação para os prisioneiros e me chamou para instalar a parte de ioga e meditação do programa.

G1 - E como foram os resultados desde que você começou o trabalho?
James Fox -
 Bom, no começo foi muito difícil. Era difícil ensinar jovens encarcerados, porque estava lidando com adolescentes. É um período da vida em que nós nos rebelamos naturalmente. Mas ao mesmo tempo tinha bons resultados. Exigiu persistência e criatividade para encontrar jeitos de atingir os jovens. Por exemplo, usava muita música para ensinar técnicas de meditação.

James escreveu um livro de guia para práticas - distribuído gratuitamente. As ilustrações das posições foram feitas pelos prisioneiros (Foto: Divulgação)Guia para práticas escrito por James e ilustrado
pelos presidiários é distribuído gratuitamente
(Foto: Divulgação)

Depois, meu trabalho com os homens de San Quentin foi difícil no começo porque a ioga é considerada uma prática de mulheres ou "maricas". Então era difícil fazê-los ir às aulas, que eram opcionais. Tinha poucos alunos.

Mas, com o tempo, diria que depois de um ano, espalhou-se a ideia de que a aula de era séria, que realmente os ajudava com a ansiedade e também era um bom exercício físico.

Na verdade há dois desafios em se trabalhar com presidiários. Um é fazer os homens participarem e o outro é trabalhar com os agentes penitenciários, que também achavam que era um programa de "maricas". Nós não tínhamos muito apoio deles para o programa.

G1 - Como são as aulas?
James -
 Cada sessão é de uma hora e meia. Ensino 4 aulas por semana para 4 grupos diferentes de homens. Foco muito no que é chamado de "mindfulness", que é o derivativo de "vipassana", um tipo de meditação não religiosa que nos EUA se chama meditação 'mindfulness'. É uma prática de autoconscientização, de deixar ir embora o pensamento e se concentrar no corpo e na respiração para permanecer autoconsciente.

O modo como introduzo a prática de ioga é sempre esse, se estamos em movimento ou sentados. É uma introdução de disciplina, de deixar de se preocupar com o pensamento e conectar a mente e o corpo. Tem muita pesquisa feita com essa técnica que mostra os benefícios para o alívio do estresse, para o déficit de atenção e para coisas como o transtorno de estresse pós-traumático.

O que ganhei com as aulas de ioga foi uma estrada para viver uma vida bem mais viva. Aprendi que posso viver o presente com um cuidado que nunca achei possível e ter uma vida saudável, fundamentada e verdadeira."

Presidiário identiicado como T.L.O.

Esse é o fundamento da prática, mas, sabendo que a maioria das questões que os prisioneiros enfrentam são relacionadas com vícios (ao menos 80%) e violência, o que procuro fazer é mostrar para eles que a ioga é uma habilidade que pode ser usada para ajudá-los na recuperação. É uma prática que te ajuda a experimentar o autocontrole.

Essa é a diferença de uma aula para o público, o professor não estaria falando como a prática ajuda na reabilitação, nas tendências violentas.

Geralmente as pessoas olham para os presidiários como seres inferiores. E, de verdade, os presos são um reflexo da sociedade. Questões de vício e violência são comuns na sociedade, tenho certeza de que é similar no Brasil. Temos essa epidemia de vícios de várias substâncias e a violência, que nos desconecta completamente de quem nós somos. 

Acho que existem muitas oportunidades para estender a prática de ioga para outras instituições de reabilitação.

G1 - Qual é o retorno que você tem dos presos?
James - 
Fiz uma lista de frases de presos contando como as aulas os ajudaram. Há muitos que continuam em contato comigo depois de libertados e eles ainda me dizem que lembram de coisas que aprenderam na prisão que os ajudam.

G1 - Muitos continuam praticando?
James - 
Sim, embora seja difícil para eles, porque a maioria das aulas é oferecida em estúdios, são caras e quando eles deixam a prisão a primeira coisa que eles têm que fazer é achar um lugar para morar, arrumar um emprego. Às vezes, eles estão separados das famílias e têm muitas outras prioridades. Mas vários acabam praticando sozinhos ou acabam achando um jeito de praticar alguma coisa.

G1 - Em quantas prisões você trabalha?
James - 
Trabalho nessa principal em San Quentin, no entanto o que tenho feito no último ano é viajar pelos Estados Unidos oferecendo treinamentos para professores de ioga que queiram ensinar em prisões. Como resultado disso, também ajudo professores a fazer contatos com prisões em diferentes partes do país. Também viajei para a Noruega para ajudar a montar um programa parecido nas prisões de lá.

Presidiário faz posição de yoga na prisão de san Quentin (Foto: Robert Sturman/Divulgação)Presidiário faz posição de ioga na prisão de san Quentin (Foto: Robert Sturman/Divulgação)

G1 - Você já viveu alguma situação perigosa na prisão, durante as aulas?
James - 
Bem, sim. Quando ensino não existem guardas comigo, fico sozinho na sala com os homens - o que é um dos motivos pelos quais em San Quentin eles não permitem que mulheres ensinem. Sempre existe uma chance de alguma coisa acontecer. Você nunca sabe, às vezes pode ter dois presos na mesma turma que têm alguma questão um com o outro. E houve uma vez em que dois deles quase brigaram. Eu interrompi.

Já fiz alguns cursos de prevenção de violência, resolução de conflitos, essas coisas, então não tenho só treinamento em ioga, tenho também em outras áreas necessárias para esse trabalho.

A ioga me ajudou a sair de um lugar negro."

Preso identificado como J.G.

Houve outras vezes em que achei que seria atacado. A primeira vez foi talvez no segundo ano em que estava lecionando. Tive medo, mas soube que era muito importante lidar com a situação. O que poderia fazer é usar o apito - nós temos que carregar um apito. Tinha um homem que estava muito bravo comigo porque disse que ele não poderia entrar na sala com comida e ele não gostou. Ele voltou com dois amigos e eles foram muito agressivos. Pensei que iam me atacar. Tinha uma sala com 11 alunos e pensei: ok, se eu usar o apito nenhum dos outros alunos voltarão pra aula de novo. 

O que fiz foi explicar muito calmamente que queria que todos considerassem a aula como um espaço separado da prisão. E, mesmo que estivéssemos dentro de uma, queria que por uma hora e meia eles não se sentissem como presidiários. E que era o responsável por manter aquele ambiente para que todos pudessem ir para a aula e saber que era um ambiente de paz e tranquilidade. Aí, ele concordou e parou de ir às aulas duas semanas depois.

Isso acontece porque algumas pessoas não estão prontas para vivenciar a paz, a tranquilidade e a ausência de estresse, de jogos mentais praticados entre os presos. Eu não tolero isso. Não nas minhas aulas.

G1 - Eles não estão acostumados com isso, né?
James -
 Não, eles não estão acostumados com esse nível de consciência. Eles estão habituados a desafiar as pessoas para demonstrar que estão no comando: 'hey eu sou o rei aqui'.

G1 - E você também treina alguns presos para serem professores?
James -
 Sim, eles não têm um certificado oficial, mas deixo alguns darem parte das aulas. Também ajudo a levantar fundos para alguns presos que querem ser professores quando sair, para que consigam bolsas de estudo.

G1 - E como você se sente em relação a tudo isso? Vale a pena?
James - 
Ah, sim, não existem dúvidas quanto a isso. Às vezes, penso e vejo que já ensinei milhares de presos nesses últimos 10 anos. Escrevi um manual de ioga e meditação para presidiários em 2009 e eu o envio de graça para os presos dos EUA que me pedem - e também está disponível no meu site. Já enviei mais de 500 livros e recebo cartas de retorno deles dizendo que estavam presos há tantos anos e que o livro significou tanto para eles, pois agora têm uma prática que podem aprender sozinhos.

Lama Padma Samten

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