domingo, agosto 31, 2014

Sete Leis Espirituais - Deepak Chopra - Primeira lei - Pontecialidade Pura


Esta semana (começando domingo 31/08/2014) falaremos sobre as Sete Leis Espirituais do Sucesso de Deepak Chopra, que na verdade são Sete Leis Espirituais para a Vida. Estas leis mostram o lado absolutamente quântico de nossa realidade e é muito pertinente aos assuntos de ciência e espiritualidade do blog. Acompanhem-nos neste estudo! Será um grande prazer!


 
Primeira Lei - A Lei da Potencialidade Pura - Consciência Pura é a nossa essência espiritual, que é potencialidade pura. É no conhecer-se que reside a capacidade de realização, porque vc mesmo represe...nta a possibilidade eterna. Esta lei poderia ser chamada de lei da unidade. Não existe separação entre vc e esse campo de energia. Quanto mais vc busca sua verdadeira natureza, mais se aproxima do campo da potencialidade pura. Se não temos a experiência do Eu, a nossa verdadeira natureza, não temos nosso ponto de referência interior, e passamos a nos influenciar pelo que acontece fora, passamos a ter um objeto-referência. Neste estado buscamos incessantemente a aprovação dos outros: nossos pensamentos e comportamentos antecipam-se a toda resposta, porque fundamentam-se no medo. No objeto-referência nossa tendência é querer controlar as coisas, ter necessidade do poder externo.
No estado de objeto-referência o ego está em primeiro lugar. Mas ele não expressa o que vc é realmente. O ego reflete apenas a sua autoimagem, a sua máscara social, o papel que vc representa. Sua máscara social necessita de aprovação, de controle, de apoio no poder, porque vive com medo.
Seu verdadeiro Eu - que é seu espírito, sua alma - está livre destas coisas. É imune à crítica. Não teme desafios. Não se sente inferior a ninguém. Mas também é humilde. Não se sente superior porque reconhece que todas as pessoas representam o mesmo Eu, o mesmo espírito com faces diferentes.
Uma forma de aplicar a lei da potencialidade pura é se entregar diariamente a momentos de silêncio, praticar a meditação e evitar julgamentos. Viver em contato com a natureza é outra maneira de ter acesso às qualidade inerentes a este campo: a infinita criatividade, a liberdade, a felicidade.
(texto na íntegra no livro - As Sete Leis Espirituais do Sucesso - Deepak Chopra)
 

quarta-feira, julho 23, 2014

Tudo é relativo - o tempo dilata




Albert Einstein em sua famosa Teoria da Relatividade mostrou como conceitos que pensávamos ser absolutos são na verdade relativos. Até mesmo a passagem do tempo! Ele percebeu que o tempo poderia se dilatar ou se contrair ao perceber que a medida do tempo nada mais é do que um evento de sincronicidade. Como medimos o tempo? A medida do tempo em um relógio é um evento de sincronicidade entre o movimento de seus ponteiros e o tempo a ser medido. Ao se passar um segundo, temos a sincronicidade do tempo passado com o "pulinho" que o ponteiro dos segundos do relógio dá. Poderíamos medir o tempo com, por exemplo, o lançar e cair de uma laranja na sua mão. Você poderia jogar uma laranja pra cima e o tempo dela subir e cair de volta em sua mão seria definido como 1 pulo de laranja, por exemplo. Estaríamos definindo uma nova unidade de medida de tempo.
Einstein percebeu que duas pessoas jogando laranjas para o alto em dois locais diferentes podem não ter este movimento sincronizado, mesmo que as duas arremessassem as laranjas exatamente juntas! Considere que estamos observando estas duas pessoas sentadas ao lado uma da outra, sob as mesmas condições físicas (aceleração da gravidade, resistência do ar, etc), considerando também que as duas laranjas sejam idênticas e as duas pessoas consigam arremessar as laranjas exatamente sob as  mesmas condições iniciais, as duas laranjas cairiam de volta a mão de cada uma delas simultaneamente, em outras palavras, ao mesmo tempo. Agora considere que estas duas pessoas estão separadas, cada uma se movendo em relação a outra a uma alta velocidade constante, próxima a da luz. Nós, os observadores, veríamos agora uma laranja voltar a mão de uma delas primeiro que a outra. A pessoa que está mais lenta ou em repouso em relação a nós teria a laranja de volta a mão mais rápido do que a outra pessoa que se estaria se movendo a uma alta velocidade em relação a você. Podemos pensar que no caso da pessoa que está em movimento a laranja não faz mais apenas o movimento vertical de subir e cair, mas faz também um movimento horizontal de deslocamento. O movimento total da laranja seria a soma destes dois movimentos, e por isso ela demora mais a voltar para a mão da pessoa em movimento. 
É importante também lembrar que a Teoria da Relatividade diz que a velocidade da luz é constante, independente se quem a observa está parado ou em movimento! No meio de tantas coisas relativas temos algo absoluto e constante: a velocidade da luz! E ela é também uma velocidade limite no Universo. Nada pode se mover mais rápido que a luz. Esta questão nos convida a uma boa discussão sobre o tema, mas isso fica para um outro post.
O Universo é mesmo surpreendente, e bem diferente do que o nosso senso comum sugere.

sábado, abril 26, 2014

Palestra gratuita na UERJ: A Física Quântica e a Qualidade de Vida




Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Instituto de Educação Física e Desportos
Rua São Francisco Xavier 524, sala 8121-F
Maracanã, Rio de Janeiro, RJ         20550-013
Tel: (55-21) 2334-0775

 

 
 
A Física Quântica e a Qualidade de Vida
 
Palestra do IEFD: Dia 8 de maio de 2014, 16h00min, auditório 93.
 
 Objetivo: Divulgar os conceitos básicos da Física Quântica, as novas descobertas científicas, e como o novo paradigma quântico pode melhorar imensamente nossa qualidade de vida.
Público Alvo: Pessoas de qualquer idade e qualquer área de trabalho/estudo que desejam saber mais sobre a Física Quântica e sua aplicação na vida prática.
Sobre a Palestra: Todo o  material utilizado é adaptado para o público leigo e de fácil entendimento. Não é necessário nenhum pré-requisito para a participação no evento.
 
 Programa:   - O nascimento da física quântica – a ideia do quantum;
                   - A dualidade onda-partícula;
                   - O papel do observador na Física Quântica;
                   - Salto Quântico e Criatividade;
                   - A Física Quântica no Quotidiano e na Qualidade de Vida.
 
Palestrante: Eliane Xavier é Mestre em Física Teórica na área de Física Quântica pela UFPR e Especialista em Ensino de Física pela UFRJ. Atualmente é pesquisadora do grupo Física e Humanidades do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) no Rio de Janeiro. Praticante budista, aluna do Lama Padma Samten desde 2004, trabalha com a relação dos temas:  Ciência – Consciência – Espiritualidade e Qualidade de Vida. Ministra Cursos Livres, Palestras e aulas em Cursos de Pós-Graduação promovendo a interdisciplinaridade da Física Quântica com outras áreas de estudo e trabalho.

Não é necessário se inscrever previamente para a Palestra.

 

terça-feira, abril 08, 2014

segunda-feira, março 31, 2014

Ciência sem consciência? A importância da ética na pesquisa científica.

fonte: http://hypescience.com/ciencia-sem-consciencia-a-importancia-da-etica-na-pesquisa-cientifica/

autor:
Mustafá Ali Kanso

Ciência sem consciência – a importância da ética na pesquisa científica.
O analista do Kings College Fellipe Gracio em seu artigo “Scientists can’t claim to be neutral about their discoveries”publicado no “The Conversation” nos brinda com uma reflexão de visceral importância sobre a ética aplicada às pesquisas.
Nesse artigo ele questiona o quanto de isenção um cientista pode alegar, quando por fim suas descobertas são mal aplicadas e podem representar um perigo para a humanidade.
Essa sensação persegue a história humana, desde que inventos magníficos como o navio, o automóvel e o avião, foram transformados em máquinas de guerra.
Ou mesmo ante as brumas radioativas de Hiroshima e Nagasaki — Oppenheimer — o pai da bomba atômica — num discurso emocionado se autodenominar “a morte, o destruidor de mundos”.
Isso apenas para citar alguns poucos exemplos.
À medida que a pesquisa científica afeta o mundo convém ficarmos de sobreaviso.
Isso por que a ciência é feita por pessoas.
E todas as pessoas, mesmo sendo cientistas, possuem interesses, intenções e ambições.
Para agravar esse quadro, a ciência é financiada por governos e por empresas — cujas políticas podem nem sempre visar o bem comum – entendendo essa expressão, em seu sentido mais amplo como sendo o bem, em sua essência, estendido para toda a humanidade.
Fica cada vez mais claro que pesquisa científica atual, em seus passos mais decisivos, está condicionada às regras de financiamento, às expectativas sobre seus resultados e às forças sociais e de instituições que moldam seus rumos.
Ora vejamos:
  • Ninguém investe sem a expectativa de ganhar dinheiro com seu investimento;
  • Mesmo moralmente condenadas, a ambição e a ganância continuam a ditar as regras do mercado também no século XXI.
Ou não?
Na década de 1950, quando Jonas Salk — um dos cientistas que participou do desenvolvimento da vacina contra a poliomielite — foi questionado sobre se ele patentearia a vacina. Ele respondeu com outra pergunta:
— Você poderia patentear o sol?
Em outras palavras:
Pode um cientista propor ou aceitar a privatização de um conhecimento que beneficiaria a todos?
Existem duas linhas de pensamento sobre essa questão:
O primeiro viés advém de empresas (e de governos) que comercializam ciência e tecnologia e são detentores de muitas patentes.
Seu principal argumento pode ser assim resumido:
Como o investimento em programas de pesquisa científica é extremamente oneroso, tanto para empresas quanto para nações é natural oferecer garantia para os investidores de que ocorrerá o retorno desses investimentos. E tais garantias passam invariavelmente pela reserva de mercado e obviamente a privatização das descobertas, protegidas por leis de propriedade intelectual.
O argumento contrário à privatização dos resultados aponta que a restrição do uso de muitas descobertas atrapalha o aperfeiçoamento da própria descoberta, além de reprimir a inovação e o desenvolvimento de novos produtos.
Além de que, ao negar o benefício a outro ser humano se estaria também praticando uma forma de desumanidade.
Por exemplo,
A indústria farmacêutica Novartis tentou bloquear recentemente a fabricação na Índia de um medicamento genérico aplicado na terapia do câncer.
Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Ciências Econômicas, tem uma posição radicalmente contra as leis de propriedade intelectual.
Ele enfatiza que essa prática visa apenas garantir lucros exorbitantes para as desenvolvedoras, que por congelamento do desenvolvimento científico, certifica-se de não haver concorrência.
Pela lei dos mercados é fácil observar o que se resulta de um monopólio, seja em que área for.
Ele dá o exemplo da Myriad Genetics, uma empresa que alegou propriedade intelectual sobre genes humanos.
Este é um exemplo extremo, mas suas observações são amplamente aplicáveis ​​.
Ele explica que, neste caso:
Geneticistas têm argumentado que o registro de patentes sobre os genes realmente tende a impedir o aperfeiçoamento de vários testes genéticos (como prevenção de doenças genéticas, por exemplo) , e de modo geral, interferir com o avanço da própria ciência .
Todo o progresso científico é fundamento em conhecimento. Ao tornar-se esse conhecimento menos disponível impede-se o progresso, ou na melhor das hipóteses, torna-o menos imediato.
É fácil observar que o cientista está no centro deste processo e ele não pode mais se furtar das questões éticas envolvidas em seu trabalho.
Não pode mais evadir-se das questões pertinentes sobre a natureza do progresso científico, sobre as decisões de financiamento de suas pesquisas, ou quais forças estão por trás dos ditos investidores e quais são os interesses que servem.
Eu mesmo, não canso de repetir para meus alunos, que nossas decisões sobre as nossas carreiras afetam não só nossas vidas, mas também a dos que nos cercam.
Eu como cientista não posso alegar neutralidade em questões como esta.
Nenhum cientista pode.
E se Jonas Salk tivesse decidido trabalhar para uma empresa farmacêutica e patenteasse a vacina contra a poliomielite? Quantas pessoas morreriam, ou teriam sequelas por toda a vida?
Considere-se uma questão relevante para o futuro:
Se uma vacina contra a malária ou contra AIDS fosse desenvolvida, deveria ser protegida por registro de patentes, de tal forma que os preços desse monopólio maximizassem sua receita, mas não seus resultados na saúde pública?
De modo mais geral: os cientistas podem realmente justificar os resultados previsíveis dos projetos em que estão envolvidos?
O que deve ser feito, então, para maximizar o benefício da ciência visando o bem comum?
Para começar, podemos educar os cientistas e também fiscalizá-los.
E para isso é necessário que o cidadão busque inteirar-se do que vem a ser ciência e de qual é o real trabalho do cientista.
É preciso que cada um busque entender as decisões tomadas tanto pelos cientistas quanto pelas instituições de pesquisa e querer fazer parte delas.
É legítimo e necessário pedir aos cientistas e aos acadêmicos, e também às instituições, que justifiquem o uso que dão aos fundos de investimentos em pesquisa;
É justo fiscalizar as ações privadas e públicas nos programas sociais, e debater as prioridades políticas na esfera pública.
E também submeter as decisões sobre a investigação científica e suas metas de trabalho ao escrutínio da sociedade.
A ciência é uma força incrivelmente poderosa que consome uma grande quantidade de recursos, por isso precisamos ter certeza de que está sendo orientada numa boa direção e parta tal é necessário que cada cidadão procure cumprir com o seu papel.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Como treinar sua mente para pensar criticamente e formar suas próprias opiniões


Pensamento crítico é uma habilidade (que nem todos possuem, a propósito) muito útil: é a maneira pela qual podemos nos libertar de ideias pré-fabricadas às quais estamos sujeitos o tempo todo, e finalmente pensar por contra própria.

A expressão, no fim das contas, significa saber absorver importantes informações e ser capaz de usá-las para formar a sua própria opinião sobre determinado assunto – em vez de apenas reproduzir um discurso pronto que se lê nos jornais e revistas, que se ouve na escola ou na igreja ou que é propagado por outras pessoas.

Esta não é uma capacidade com a qual nascemos – normalmente, acontece exatamente o oposto: somos treinados justamente para não desenvolver muito bem nosso pensamento crítico e, desta forma, não sermos muito contestadores. Felizmente, porém, esta é uma habilidade que podemos treinar e, consequentemente, nos tornarmos melhores nela. Veja:

5. Preste atenção nos detalhes certos

Uma das partes mais importantes de pensar criticamente é aprender quais detalhes são, de fato, importantes. Estamos expostos a tanta informação e opiniões diferentes que fica muito fácil se perder nos detalhes. Comece confiando na sua intuição. Se algo não soa verdadeiro para você, eis aí o seu primeiro sinal de alerta.

Na sequência, uma boa dica é refletir sobre quem se beneficia de uma dada informação ou opinião. Se há uma discussão acalorada sobre, digamos, a qualidade da água da torneira e se é adequado ou não consumi-la, preste atenção se dentre as partes envolvidas não está uma indústria de garrafinhas de plástico. Isso nem sempre é algo ruim – às vezes as motivações de uma pessoa podem fazer sua opinião mais válida –, mas é aconselhável pensar em quem pode ganhar com uma ideia.

O que nos traz ao segundo ponto: questione a fonte. Principalmente após a grande disseminação da internet nas últimas décadas, as fontes nem sempre são imediatamente identificáveis. Portanto, se algo parece meio duvidoso, rastreie de onde veio antes de formar uma opinião.

O mesmo vale para os meios de comunicação. Cada publicação ou veículo tem uma vertente – esquerda, direita -, e não é que é impossível acreditar em matéria alguma de política por conta do posicionamento desses meios, mas para o bem do seu pensamento crítico, é bom ter um pé atrás e analisar se o texto traz alguma informação nova (e isenta) ao leitor, ou se serve apenas para reafirmar as convicções da empresa.

Outro detalhe com o qual se deve ter um pouco de cuidado são as afirmações óbvias e de pouco sentido no contexto da discussão. É um truque comum em debates (principalmente entre políticos na televisão) esconder um argumento crítico dentro de uma série de declarações obviamente verdadeiras. É uma estratégia traiçoeira que faz o oponente facilmente se perder, porque começa a concordar com as afirmações, mesmo que não tenham ligação qualquer com o discurso.

Vemos muito isso nos debates. O candidato pergunta ao atual prefeito em busca da reeleição sobre a razão pela qual não foi destinada a verba planejada para a área da saúde. O político responde que a saúde foi sempre uma prioridade na sua gestão, os profissionais da área precisam ser valorizados, é importante equipar nossos pronto-socorros e nos últimos quatro anos a expectativa de vida do brasileiro subiu de 73,1 para 74,6 anos.

Todas as afirmações podem estar corretas, mas nenhuma responde ao que foi pedido. Um olhar desatento poderia concordar com tudo que o prefeito disse e achar que sua resposta foi brilhante. Não caia mais nessa. Quanto mais você prestar atenção a esse tipo de detalhe, mais fortalecido seu pensamento crítico se tornará.

4. Sempre faça perguntas

Saber quais detalhes precisam ser observados é a primeira parte para desenvolver um bom pensamento crítico, mas de nada serve essa habilidade se você não souber que tipo de pergunta fazer em seguida. Afinal, pensar criticamente e fazer perguntas são duas coisas que caminham lado a lado.

A escritora e psicóloga russa radicada em Nova York, Maria Konnikova, sugere uma abordagem um tanto original, usando Sherlock Holmes como exemplo. Segundo ela, depois que o personagem define seus objetivos, ele passa a observar e coletar dados, perguntando-se sempre quais informações desta conversa, pessoa ou situação lhe permitirá reunir os dados que ele não tem e que lhe serão úteis para ver se sua hipótese se mantém.

“Em seguida, ele dá um passo atrás e observa os dados, recombina-os e tenta buscar uma possibilidade diferente, sendo criativo com as informações que possui para verificar se existem novas abordagens a serem exploradas”, explica Konnikova.

O escritor estadunidense Scott Berkun compartilha seu próprio conjunto de questões para se pensar criticamente. “Qualquer um que tenha considerado seriamente algo encontrou fatos suficientes tanto a favor, para adequar seus argumentos, quanto contra”. Berkun ainda cita algumas questões úteis que devemos fazer na construção de um pensamento crítico: “Quem além de você compartilha dessa opinião? Quais são as suas maiores preocupações, e o que você vai fazer para resolvê-las? O que precisa ser mudado para que você tenha uma opinião diferente?”.

Se esses questionamentos soaram familiares, você deve ter percebido a similaridade dessa forma de pensar com o método socrático, em que uma série de perguntas lhe ajuda a revelar o que você pensa sobre um determinado assunto. O importante aqui é sempre se perguntar por que algo é importante e como isso se conecta com as coisas que você já conhece. À medida que você faz isso, você treina seu cérebro para fazer conexões entre ideias e a pensar criticamente sobre as mais diversas informações que você for encontrar.


3. Cuidado com “achismos”

No árduo caminho de formar um pensamento crítico, devemos também treinar nossos ouvidos para notar pequenas palavras e frases que servem como sinais de alerta. Sabemos que é impossível prestar atenção em tudo, por isso, conhecer algumas frases que tendem a vir antes de um argumento fraco é realmente útil.

São os famosos “achismos”. Mesmo que de forma sutil, essas expressões entregam que a opinião que vem a seguir muito provavelmente não é bem embasada. O Wall Street Journal até elencou algumas dessas frases – dentre elas, destacam-se, além da famosa “eu acho que”, expressões como “para dizer a verdade”, “só quero que você saiba que” e “só estou querendo dizer que”.

Em um debate de alto nível, você sabe que esse tipo de declaração tende a introduzir uma inverdade. Sinal de que é hora de começar a prestar atenção para, na sequência, começar a fazer perguntas.

2. Conheça e confronte seus próprios preconceitos

Quando falamos sobre o pensamento crítico, é imprescindível nos lembrarmos de que não somos um templo de sabedoria e nós mesmos temos nossas questões a serem resolvidas. E a dificuldade surge justamente porque adoramos apontar as falhas dos outros, mas somos muito ruins em reconhecer preconceitos em nosso próprio pensamento. Todos temos tendências a pensar de certa forma devido a uma gama de fatores, mas parte do pensamento crítico é cultivar a possibilidade de enxergar os fatos fora desses preconceitos.

A ideia básica é resumida pelo escritor inglês Terry Pratchett, em seu livro “A Verdade”. Na obra, Pratchett defende a percepção de que as pessoas só gostam de ouvir o que elas já sabem. “Elas ficam desconfortáveis quando você lhes diz coisas novas, pelas quais elas não esperam. Em suma, o que as pessoas pensam que querem são novidades, mas o que elas realmente anseiam é por antiguidades, que dirão a elas tudo o que elas já pensam e já acreditam ser verdadeiro”, afirma.

Pensar criticamente tem tudo a ver com confrontar esses preconceitos com a maior frequência possível. Difícil? Sem dúvida. Se você se criar o hábito de pensar sob diferentes pontos de vista ao longo do dia, você treinará seu cérebro para fazer isso mais vezes, quase que automaticamente.

1.Pratique o pensamento crítico sempre que possível

Seguindo a mesma ideia do item anterior, chegamos ao último tópico da nossa lista. Como acontece com qualquer outra habilidade, para ficar bom em pensamento crítico, é preciso praticá-lo todos os dias. O que facilita o trabalho é o fato de que isso pode ser feito em sua própria cabeça. Você também pode, no entanto, se valer de alguns exercícios para forçar seu cérebro a entrar em forma.

Uma tarefa fácil de ser feita é manter algum tipo de diário. A ideia é utilizá-lo para registrar observações casuais ou suas opiniões diante de um assunto enfrentado durante o dia.

O objetivo é escrever diariamente. Assim que você tiver um número substancial de textos produzidos, crie um blog (ou reative aquele seu de aaaanos atrás) e poste suas ideias lá.

Esse exercício é bom não apenas para você, mas também uma ótima maneira de envolver outras pessoas e desafiar a si mesmo a confrontar seus pensamentos com pontos de vista diferentes do seu (certamente algum amigo de um amigo seu não concordará com suas palavras e deixará isso bem claro nos comentários. Essa é a hora de colocar o pensamento crítico para funcionar). Da mesma forma, participar de um debate saudável entre amigos é uma boa forma de praticar.

O que você deve ter em mente é que o pensamento crítico não termina nunca. Quanto mais conhecimento você cultiva, melhor você vai se tornar nisso. E o resultado final é um cérebro que forma melhores argumentos, ideias mais focadas e soluções criativas para os problemas.
artigo do site Hypescience

Autor: Jéssica Maes

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

O que pode ser pior que a ignorância?

(artigo do site Hypescience)


Na esteira do artigo da semana passada, no qual abordamos o tema metacognição surgiu a questão:

— Se metacognição é o conhecimento e o controle do próprio conhecimento, qual seria o efeito da ignorância da própria ignorância?

Com intuito de responder essa questão vou me referir à pesquisa de David Dunning, um psicólogo da Universidade de Cornell, realizada em conjunto com Justin Kruger da Universidade de Nova York já noticiada aqui no Hypescience.

A pesquisa fundamentou-se na realização de diversos testes dentro de determinadas áreas das habilidades humanas, tais como raciocínio lógico, inteligência emocional, jogos de estratégia, sagacidade no humor, etc. seguido de uma entrevista.

Nessa entrevista era solicitada a opinião de cada participante sobre seu próprio desempenho nos testes.

Os resultados foram esclarecedores.

Os participantes da pesquisa que tiraram as mais baixas pontuações superestimaram seus resultados em 100% das entrevistas.

E quanto pior o resultado quantitativo em raciocínio lógico, inteligência emocional, humor ou mesmo habilidades em jogar xadrez, por exemplo, maior foi a diferença entre a sua real pontuação e a sua estimativa arrogada na entrevista.

Ficou patente que a incompetência priva as pessoas da capacidade de reconhecer sua própria incompetência.

Tal limitação pode ser a principal responsável pelo descompasso nos relacionamentos interpessoais e no funcionamento da sociedade como um todo.

Com mais de uma década de pesquisa os resultados demonstraram que os seres humanos acham “intrinsecamente difícil ter uma noção do que não sabem”.

O pior em tudo isso, é que não se trata apenas de otimismo ou autoconfiança.

Os pesquisadores descobriram uma total falta de habilidade em autoavaliar-se. Um bloqueio nessa parte do autoconhecimento individual que implica na ignorância sobre a extensão de suas reais habilidades e na confusão entre a imagem que se tem de si mesmo e a realidade de suas próprias competências (ou incompetências).

Mesmo quando os pesquisadores ofereceram aos participantes uma recompensa de US$ 100 para aqueles que classificassem seu desempenho com a maior precisão, os resultados foram praticamente os mesmos.

“Eles realmente estavam tentando ser honestos e imparciais. Percebia-se ali uma real incapacidade de se avaliar o próprio conhecimento bem como seus próprios limites. Nisso podemos apontar a causa de muitos dos problemas da sociedade, como por exemplo, a própria negação das alterações climáticas. Tal negação passa pela sedimentação de uma opinião desinformada e desatrelada da realidade, e o que é pior, aliada à inconsciência dessa desinformação” — afirmou Dunning.

E para agravar o caso, ficou evidente também que pessoas que não são talentosas em uma determinada área são incapazes de reconhecer esse talento nos outros.

O que é mais uma das obviedades que a psicologia cognitiva está nos esfregando na cara.

Quanto mais ignorante for a pessoa, maior a valorização que ela dá a si mesmo e menor a valorização que ela dá aos outros.

De fato, é um resultado que não surpreende um bom observador da conduta humana desde que se tem falado em ignorância e arrogância — parecem que são características indissociáveis e com os resultados mais nefastos que podemos imaginar na conduta humana.

O que me leva a concluir, sobre a nossa questão base:

Pior que a ignorância — só mesmo a ilusão do conhecimento, que invariavelmente a acompanha.

Essa terrível ilusão que além de levar o indivíduo ao erro também o aprisiona na própria ignorância, impedindo-o de buscar pelo conhecimento.

Afinal, ninguém precisa encher um cântaro quando se acredita que ele está completamente cheio.

autor: Mustafá Ali Kanso