Olá amigos, o objetivo deste blog é dividir informações com pessoas que estejam interessadas em conhecimento para uma melhor qualidade de vida! O nome Sabedoria Quântica vem da relação entre a Sabedoria dos Mestres Espirituais e a Física Quântica. Este blog existe também em favor de uma ciência que agregue sabedoria e não só conhecimento. Uma educação para a vida e não só para o mundo econômico. Ética e valores na ciência, para que ela possa realmente ser um veículo completo de transformação.
segunda-feira, dezembro 02, 2013
quarta-feira, novembro 13, 2013
Ciência e Espiritualidade
Os Tipos de Mente e o Salto Quântico
Niels Bohr em 1913 utilizou a ideia de Planck, da quantização da energia, para criar um modelo atômico onde as orbitas dos elétrons dentro do átomo são quantizadas. Bohr postulou que os elétrons orbitam o núcleo atômico em órbitas definidas, ou seja, os elétrons estariam em apenas algumas regiões permitidas, e não aleatoriamente em "qualquer lugar" ao redor do núcleo.
Desta forma os elétrons serão encontrados sempre em algumas destas órbitas. Como na figura abaixo, o elétron pode estar na órbita K, L, M... e assim por diante, mas nunca no espaço entre elas.
figura 1 - Modelo de Bohr para o átomo
O elétron pode mudar de uma órbita para outra, recebendo ou emitindo um quantum (pacotinho) de energia. Se ele absorve um quantum de energia ele desaparece da órbita L, por exemplo na figura 1, e aparece na órbita M. Este salto representa uma descontinuidade, pois o elétron não faz uma trajetória, ele não passa pelo espaço entre as duas órbitas. Ele simplesmente desparece de uma órbita e aparece na outra. O outro exemplo que podemos ver na figura 1 é o do elétron passando da órbita M (mais externa) para a órbita L (mais interna). Para isso ele emite um quantum de energia, passando assim de uma órbita mais energética para uma órbita menos energética. Quanto mais próxima do núcleo for a órbita menor é a energia do elétron associado a ela.
No Budismo, o Lama Padma Samten nos ensina que a mente pode operar em 4 faixas. Podemos fazer uma analogia destas faixas com as órbitas do átomo de Bohr.
A mente que opera em faixa 1 é aquela mente que apenas responde automaticamente aos impulsos externos. Age de forma responsiva, ou seja, totalmente no automatismo e no condicionamento, respondendo de forma imediata.
A mente em faixa 2 ainda é uma mente que responde dentro do condicionamento, mas é uma mente que consegue traçar um pouco de estratégia.
Para ilustrar vamos tomar como exemplo um jovem universitário que tem uma prova de manhã cedo no dia seguinte, e recebe o telefonema de um colega convidando-o para sair para a balada. Se ele está operando em faixa 1 ele nem pensa, sai imediatamente para a balada "se esquecendo" da prova no dia seguinte. Com a mente operando em faixa 2 o jovem pode deixar a balada para um outro dia, já que tem a prova no dia seguinte. É importante ressaltar que nestes dois casos (faixa 1 e faixa 2) a mente está apenas lidando com os aspectos externos do mundo, respondendo ao que surge.
Na mente em faixa 3 existe um "ganho de energia" maior. A consciência dará um salto quântico mais amplo, pois a mente que opera nesta faixa é a mente que percebe o mundo interno. Nesta etapa do desenvolvimento de nossa consciência passamos a perceber que existe um mundo interno que não é separado do mundo externo. Percebemos que nosso mundo interno dá significado aos acontecimentos externos, e que desta forma podemos alterar situações que surgem em nossa vida alterando o significado que atribuímos a elas. Podemos ver como exemplo, situações que aconteceram em nossa vida há anos atrás, que na época víamos como coisas ruins e hoje vemos como coisas boas, ou vice-versa. O fato em si continua o mesmo, não mudou, mas com o passar do tempo mudamos o significado que nosso mundo interno dá ao fato. Neste momento percebemos que nossa mente cria o que chamamos de "paisagem", que todo fato que observamos está dentro de uma determinada paisagem criada pela nossa mente. Descobrimos então que nossa mente tem essa mobilidade, esta capacidade de mudar de paisagem contornando assim vários obstáculos que poderiam nos trazer muito sofrimento.
figura 2 - Faixas 1, 2 e 3 de operação da mente.
Podemos ainda fazer uma analogia do núcleo atômico com a identidade (ou ego limitante). Quanto menor é o nível de energia mais próximo do núcleo o elétron estará. Ao ganhar energia o elétron se afasta do núcleo até que se libera do átomo. Assim seria também com a consciência, que se amplia e se afasta da identificação com o ego, operando em faixas de maiores níveis de energia, até a liberação total.
Bibliografia:
Física Quântica - Eisberg / Resnick
A Mandala do Lotus - Lama Padma Samten
quarta-feira, outubro 16, 2013
Introdução a Física Quântica para o Público Leigo
clique na imagem para ampliar
O
objetivo deste curso é introduzir de forma didática e clara os conceitos da
Física Quântica para o público leigo. Para entender a Física Quântica precisamos nos familiarizar
com conceitos estranhos ao nosso senso comum, como Incerteza, Onda de
Probabilidades, Dualidades, entre outros. Por isso a importância deste diálogo
onde poderemos colocar as dúvidas e realmente absorvermos um pouco de todo este
novo e importante conhecimento científico.
Não
há pré-requisitos para a participação. O curso é aberto para pessoas de
qualquer área de trabalho/estudo.
Tópicos:
1)
A física de partículas:
-
Partículas fundamentais
-
Partículas
transportadoras de forças
-
Antimatéria
-
Bóson
de Higgs (a partícula de Deus)
2) Conceitos básicos
de física quantica:
-
O quantum
-
Dualidade onda-partícula
-
Colapso da função de
onda
-
O papel do Observador
-
Princípios
da Incerteza e da Complementariedade
Eliane
Xavier é mestre em Física Teórica na área de Física Quântica pela UFPR,
especialista em Ensino de Física pela UFRJ e pesquisadora
do grupo “Física e Humanidades” do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas
Físicas). Atualmente ministra aulas em vários cursos de Pós-Graduação
promovendo a interdisciplinaridade da Física Quântica com outras áreas de
Estudo e Pesquisa.
Local: Edifício Biocentro – Sala de Convenções
Rua Padre Anchieta 1846, Champagnat. Curitiba.
Data e Horário: 30 de outubro, quarta-feira, das 19: 30 às 22h.
Inscrições e informações com Cristiane pelo cel (TIM): 41 –
9716-2522 ou pelo e-mail fisicaquantica@uol.com.br
Investimento: R$ 60,00
Bóson de Higgs
Indico a entrevista do Físico Rogério Rosenfeld, do IFT (Instituto de Física Teórica) falando sobre o Bóson de Higgs (popularmente conhecida como Partícula de Deus) e outros assuntos. Excelente participação, considerando que o tema é super complexo e que nesta área científica não temos respostas simples e exatas. Deixo meu agradecimento pela divulgação científica.
Clique aqui para Parte 1
Clique aqui para Parte 2
Clique aqui para Parte 3
Clique aqui para Parte
4
terça-feira, setembro 24, 2013
Física Quântica, Múltiplas Dimensões e Universos Paralelos no Rio de Janeiro
A ciência hoje nos diz que o mundo é algo fascinante e misterioso, além do que jamais poderíamos imaginar. Nós, como observadores estamos a todo momento participando e influenciando esta realidade que nos cerca. Assim, o intuito deste curso é mostrar como os conceitos da física moderna podem influenciar no cotidiano e modificar as nossas vidas de modo profundo. Também aborda a conciliação entre física quântica, espiritualidade, estudos sobre a consciência e universos paralelos.
Não há pré-requisitos para a participação. O curso é aberto para pessoas de qualquer área de trabalho/estudo.
Não há pré-requisitos para a participação. O curso é aberto para pessoas de qualquer área de trabalho/estudo.
Veja abaixo os temas explorados:
1) A física de partículas
- Partículas fundamentais
- Partículas transportadoras de força
- Antimatéria
- Bóson de Higgs (a partícula de Deus)
2) Conceitos básicos da física quântica
- Dualidade onda-partícula
- Colapso da função de onda
- O papel do Observador
- Princípios da Incerteza e da Complementariedade
3) Teoria das Cordas e Teoria M.
- O sonho de Einstein - A Teoria de Tudo
- As múltiplas dimensões
- Entendendo a quinta dimensão
4) Teoria M.
- Como a nossa consciência nos leva aos Universos Paralelos
5) Física Quântica, espiritualidade e consciência
- A natureza do mundo material
- A mente quântica
- A onipresença do elétron
1) A física de partículas
- Partículas fundamentais
- Partículas transportadoras de força
- Antimatéria
- Bóson de Higgs (a partícula de Deus)
2) Conceitos básicos da física quântica
- Dualidade onda-partícula
- Colapso da função de onda
- O papel do Observador
- Princípios da Incerteza e da Complementariedade
3) Teoria das Cordas e Teoria M.
- O sonho de Einstein - A Teoria de Tudo
- As múltiplas dimensões
- Entendendo a quinta dimensão
4) Teoria M.
- Como a nossa consciência nos leva aos Universos Paralelos
5) Física Quântica, espiritualidade e consciência
- A natureza do mundo material
- A mente quântica
- A onipresença do elétron
Sobre a palestrante
Eliane Xavier é mestre em Física Teórica na área de Física Quântica pela UFPR e especialista em Ensino de Física pela UFRJ. Também é pesquisadora do grupo “Física e Humanidades” do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), no Rio de Janeiro. Praticante budista desde 2004, desenvolveu o curso de Física Quântica para o público leigo ao perceber a importante mudança de paradigma que esta nova área da ciência está trazendo.
Data:
04 e 05 de outubro de 2013
Horários:
04 (sexta): 19:30 às 22h
05 (sábado): 9h às 18h
Horários:
04 (sexta): 19:30 às 22h
05 (sábado): 9h às 18h
Local: Centro de Estudos Budistas
Rua Correa Dutra 149, sala 202, Catete, Rio de Janeiro
Informações com Cristiane pelo cel (TIM) 41- 9716-2522 ou pelo e-mail fisicaquantica@uol.com.br
terça-feira, agosto 13, 2013
Sobre gatos, fótons e mundos estranhos
Olá colegas do blog,
Muito boa esta pesquisa da FAPESP! E vamos tentando entender o mundo quântico! Como e quando o mundo quântico vira clássico??
Abraços,
Eliane
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Para entender transição do mundo quântico para o clássico, físicos brasileiros medem troca de informação entre partículas de luz e o ambiente
RICARDO ZORZETTO | Edição 202 - Dezembro de 2012
© CATARINA BESSELL
Apresentada na edição de 12 de outubro da revista Physical Review Letters, a constatação de que a perda de informação não é completa pode despertar o interesse de físicos e especialistas em teoria da informação por dois motivos. O primeiro é de ordem prática. Como a informação não se esvai completamente, nem de uma só vez, pode se tornar um pouco mais simples construir sistemas mais estáveis, que permitam usá-la para realizar cálculos, caso dos computadores quânticos, ou para transmiti-la com segurança, por meio da criptografia quântica. É que o funcionamento desses sistemas depende diretamente das propriedades quânticas das partículas, razão por que os protótipos já produzidos – até mesmo o que parece ser o primeiro computador quântico comercial, construído pela empresa canadense D-Wave Systems (ver Pesquisa FAPESP nº 193) – precisam ser mantidos a temperaturas baixíssimas e isolados o máximo possível da influência do ambiente que os cerca.
Já o segundo motivo é de ordem teórica – e até filosófica. Conhecer melhor como as partículas atômicas interagem com o meio pode contribuir para estabelecer os limites (de tamanho, massa ou energia) que separam o mundo clássico do quântico. Em outras palavras, saber até que ponto valem as leis da mecânica quântica. Essa, a propósito, é uma questão tão perturbadora quanto antiga. Segundo os físicos, nada nessa teoria que começou a ser formulada há pouco mais de um século indica haver esse limite. Desse modo, se as partículas individualmente apresentam características quânticas, provadas e comprovadas pelos experimentos já realizados, tudo o que é feito de partículas (plantas, animais, planetas e estrelas) também deveria ter um comportamento quântico, como o do gato simultaneamente vivo e morto do experimento mental de Erwin Schroedinger.
Em 1926 esse físico austríaco formulou uma equação em que as partículas eram tratadas como ondas. Segundo seu colega alemão Max Born, as ondas indicavam a probabilidade de uma partícula ser encontrada em uma região do espaço-tempo. Incomodado com certas interpretações muitas vezes associadas a essa distribuição de possibilidades – que atribuíam, por exemplo, a incerteza sobre a posição de uma partícula à ignorância do observador, mas não a uma propriedade objetiva da partícula –, Schroedinger tentou demonstrar as consequências absurdas que poderiam decorrer. Para exemplificar a estranheza dos resultados, Schroedinger sugeriu em 1935 que se imaginasse o que aconteceria com um gato colocado em uma caixa hermeticamente fechada contendo um punhado de material radioativo, um detector de radiação, um martelo e um recipiente de vidro com um gás letal. Quando decai, a partícula libera radiação e aciona o detector, que, por sua vez, ativa o mecanismo que faz o martelo quebrar o frasco de veneno. Como consequência, o gato morre.
Nesses quase 80 anos não se encontraram furos na teoria que permitissem desfazer esse aparente paradoxo. A mecânica quântica é considerada uma das teorias mais testadas e bem-sucedidas da física, capaz de predizer os fenômenos com uma precisão jamais vista antes. Juntas, ela e a teoria da relatividade geral, formulada por Einstein, são os pilares da física moderna. “Há consenso entre os físicos de que o mundo é quântico”, comenta George Matsas, físico teórico da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Mas não se sabe como recuperar o mundo clássico a partir de uma descrição puramente quântica.” Ao menos, não de modo que a solução não pareça mágica aos olhos de um leigo.
À medida que a sofisticação da mecânica quântica fazia esvanecer a conexão entre o mundo das partículas e a realidade acessível às pessoas, diversas tentativas de reconciliação foram propostas. Logo que surgiu o paradoxo, o próprio Born teria afirmado que o impasse desapareceria ao abrir a caixa: o mero ato de observar eliminaria a superposição de estados e o gato se revelaria simplesmente morto ou vivo. Outras ideias se seguiriam. A explicação mais aceita de por que não se observam propriedades quânticas em objetos macroscópicos foi apresentada pelo físico alemão Heiz-Dieter Zeh no início dos anos 1970. Ele teria observado que os sistemas macroscópicos que compõem o mundo clássico, regido pelas leis da física de Newton, jamais estão isolados do ambiente, com o qual interagem continuamente. Assim, esses sistemas não poderiam ser descritos pelas equações de Schroedinger, aplicáveis somente a sistemas fechados. A consequência dessa conclusão foi verificada tempos mais tarde por Wojciech Zurek, físico polonês do Los Alamos National Laboratory (LANL), nos Estados Unidos. Nessa interação, a informação do sistema quântico escapa para o ambiente por meio de um fenômeno que Zurek chamou de decoerência.
© CATARINA BESSELL
No século passado, porém, os físicos descobriram que o que acontece com as ondas também ocorre com átomos ou partículas atômicas, como os elétrons. Lançados um a um aleatoriamente contra o primeiro anteparo, os átomos produzem um padrão de interferência semelhante ao da luz. Para a mecânica quântica, isso só se explica se cada átomo passar simultaneamente pelas duas fendas. Quando o que se deseja observar é o padrão de interferência que se forma na segunda placa, o experimento funciona como a caixa lacrada com o gato de Schroedinger. Diversos experimentos já demonstraram que, quando se usa qualquer tipo de detector para tentar saber por qual das duas fendas a partícula de fato passou, a resposta é sempre única: a partícula passa pela fenda da direita ou da esquerda. Quando esse tipo de medição é feita, porém, a franja de interferência desaparece do segundo anteparo e, portanto, perde-se a coerência. Na analogia com o experimento do gato, o uso do detector nas fendas corresponde a abrir a caixa.
Os físicos entendem essa segunda medição – ou a abertura da caixa para espiar o gato – como sendo a interação do sistema com o ambiente. Antes isolado, o sistema mantinha um comportamento quântico. Nesse estado, o fóton ou o elétron, por exemplo, podia passar pelas duas fendas ao mesmo tempo. Quando a coerência se desfaz, essa capacidade some e as partículas passam a exibir comportamento clássico (atravessam uma das duas). Nessa transição para o mundo clássico, perde-se informação quântica, como a que permitia a partícula estar em dois lugares ao mesmo tempo – ou o gato de Schroedinger morto e vivo. “Não há como reproduzir o mundo clássico sem perder informação do mundo quântico”, comenta Matsas.
Para Zurek, a decoerência ocorre porque o ambiente faz medições sobre os sistemas quânticos o tempo todo. Assim como a tentativa de descobrir por qual fenda passou o elétron, essas medições eliminam informações ou estados quânticos mais frágeis e deixam apenas os mais estáveis, que são os que se percebem no mundo clássico. Zurek deu o nome de darwinismo quântico a essa destruição seletiva de informação.
Complicado? Muitos físicos também acham. O próprio Einstein não se sentia confortável com muitas das interpretações que a mecânica quântica oferecia sobre o mundo. Certa vez caminhando pelos jardins da Universidade Princeton com seu biógrafo, o físico e historiador da ciência Abraham Pais, Einstein teria comentado algo como: “Você acredita mesmo que a Lua só está lá quando olhamos para ela?”. No livro Introducing quantum theory – A graphic guide, o escritor Joseph P. McEvoy relata que em dezembro de 2000 o físico norte-americano John Wheeler, estudioso da mecânica quântica que trabalhou com um dos expoentes na área, o dinamarquês Niels Bohr, e ajudou a desenvolver as bombas atômica e de hidrogênio, lhe escreveu por ocasião do 100o aniversário da descoberta do quantum. Em 1900, o físico alemão Max Planck chegou a uma conclusão que levaria ao desenvolvimento de toda a mecânica quântica. Planck verificou que na natureza a energia era trocada entre átomos e a radiação em quantidades discretas (pacotes) que ele chamou de quanta, plural de quantum. No texto a McEvoy, Wheeler dizia: “Para celebrar, eu proporia o título: ‘O Quantum: a Glória e a Vergonha’. Por que glória? Porque não há área da física que o quantum não tenha iluminado. A vergonha porque ainda não sabemos ‘por que razão o quantum?’”.
No mundo macroscópico, fótons como os vindos das estrelas – e são muitos os fótons que, por exemplo, chegam à Terra – estão colidindo o tempo todo com os objetos. “É como se fizessem medições que destroem a informação quântica e nos permitem ver o mundo como clássico”, diz Davidovich, que há quase três décadas investiga os fenômenos complexos da mecânica quântica. Entre eles, a perda de coerência, que determina a passagem do mundo quântico para o clássico.
Até hoje não se observou um limite de tamanho, massa ou energia que estabeleça uma espécie de fronteira entre um mundo e outro. Em um encontro que reuniu os grandes físicos do mundo em 1927, Niels Bohr propôs que essa fronteira variaria de um sistema para outro. Na Áustria anos atrás a equipe do físico Anton Zeillinger demonstrou que moléculas de fulereno, formadas por 60 átomos de carbono e com estrutura semelhante à de uma bola de futebol, mantêm um comportamento quântico (como onda e partícula) no teste da fenda dupla. O grupo já anunciou que planeja repetir o teste com vírus, bem maiores.
© CATARINA BESSELL
Esse experimento demonstrou que o tempo em que ocorre a perda de informação quântica – ou tempo de decoerência – é inversamente proporcional ao número de fótons aprisionados na cavidade e integrou uma série de trabalhos que conferiu a Haroche o Prêmio Nobel de Física de 2012 (honraria dividida com o americano David Wineland, da Universidade do Colorado, também pesquisador dessa área). Essa relação que encontraram explica por que não se observam objetos macroscópicos em mais de um lugar ao mesmo tempo. Como são feitos por um número muito elevado de partículas, esses objetos perdem suas características quânticas num tempo absurdamente curto.
Anos atrás Wojciech Zurek demonstrou que à medida que o sistema quântico interage com o meio que o envolve e perde informação – ou seja, sofre decoerência –, registros dessa informação ficam no ambiente. Agora, no estudo da Physical Review Letters, Davidovich e os físicos Souto Ribeiro, Walborn, Osvaldo Jimenez Farias, Gabriel Aguillar e Andrea Valdéz-Hernández mostraram em um experimento com fótons que o mesmo ocorre com uma propriedade fundamental para a computação e a criptografia quânticos chamada emaranhamento. O emaranhamento ou entrelaçamento é um elo quântico que partículas (ou conjunto de partículas) mantêm entre si, mesmo quando distantes umas das outras. Essa conexão, tão intensa quanto frágil, é tal que as modificações sofridas por algumas das partículas refletem nas outras (ver Pesquisa FAPESP nos 102, 123 e 136).
Usando um feixe de laser que incide sobre uma série de cristais e filtros, o grupo da UFRJ conseguiu observar o que ocorre com o entrelaçamento num ambiente bem simples – extremamente mais simples do que o ambiente em que vivemos – sobre o qual tinham completo controle e podiam realizar medições e saber quanto de informação foi perdida por decoerência. “Talvez esse seja o único sistema físico em que se consegue medir completamente o estado do ambiente”, conta Souto Ribeiro.
Os físicos observaram que o entrelaçamento inicial entre a polarização dos dois fótons começou a desaparecer depois da interação com o ambiente. Mas, em alguns casos, surgiu no final uma forma distinta de emaranhamento, em que os dois fótons se apresentavam emaranhados com o ambiente. Segundo os pesquisadores, ao conhecer a parte da informação que é perdida para o ambiente, talvez seja possível recuperá-la. “Ainda não fizemos isso, mas vimos que é possível”, afirma Davidovich.
“Nossa ideia é tentar entender o emaranhamento como sendo uma grandeza física qualquer, como a energia ou a velocidade, para tentarmos estabelecer leis de evolução dessa quantidade”, diz Souto Ribeiro, que coordenou, com o colega Walborn e Amir Caldeira e Marcos Oliveira, da Unicamp, outro estudo publicado em novembro na Physical Review Letters mostrando que aqueles estados mais estáveis previstos por Zurek podem se tornar evidentes antes mesmo que o sistema se torne clássico.
Para Souto Ribeiro, o fato de ter funcionado em um ambiente simples indica que também deve dar certo com ambientes mais complexos, uma vez que as equações que descrevem a interação com ambientes simples são exatamente as mesmas que descrevem com os complexos, nos quais é difícil realizar medições. Davidovich considera que ele e seus colaboradores apenas começaram a trilhar um caminho novo. “O experimento que fizemos nos dá apenas informação parcial sobre o que acontece porque o objeto está longe de ser considerado macroscópico”, explica. “Gostaria de estudar as impressões digitais que objetos macroscópicos deixam no ambiente.” O próximo passo deve ser explorar, do ponto de vista teórico, o que ocorreria nesse caso. “Planejar um experimento para observar isso”, diz, “seria extremamente difícil”.
Artigos científicos
FARIAS, O.J. et al. Observation of the emergence of multipartite entanglement between a bipartite system and its environment. Physical Review Letters. 12 out. 2012.
CORNELIO, M.F. et al. Emergence of the pointer basis through the dynamics of correlations. Physical Review Letters. 9 nov. 2012
fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/12/10/sobre-gatos-fotons-e-mundos-estranhos/
quarta-feira, julho 31, 2013
Física Quântica para todos (11) - O Multiverso Quântico
O Multiverso Quântico
O problema da medida na Física Quântica é um de seus pontos
cruciais e ainda não completamente entendido pelos físicos. O que é a medida na
física quântica? Consideramos o ato de medir como o próprio ato de observar.
Por exemplo, já vimos nos posts anteriores (http://sabedoriaquantica.blogspot.com.br/2012/02/fisica-quantica-para-todos-5.html; http://sabedoriaquantica.blogspot.com.br/2012/02/fisica-quantica-para-todos-4.html; http://sabedoriaquantica.blogspot.com.br/2011/12/fisica-quantica-para-todos-3.html) que o elétron é uma dualidade onda-partícula. O que
significa isso? Significa que o elétron pode ser observado (ou medido) como uma
onda ou como uma partícula, dependendo do tipo de experimento que montamos para
fazer esta observação. Se montarmos o experimento da fenda dupla (quando
lançamos um feixe de elétrons contra um anteparo com duas fendas paralelas)
veremos que o elétron se divide e passa pelas duas fendas ao mesmo tempo, se
comportando assim como uma onda! Se, por outro lado, montarmos o experimento
chamado efeito fotoelétrico ( efeito que acontece ao lançarmos um feixe de luz
sobre uma placa de metal), observaremos o elétron se comportando como uma
partícula que pula da placa de metal ao receber os fótons de luz. Mas tem um
aspecto mais estranho ainda no problema da medida em Física Quântica. Antes que
a medida seja realizada dizemos que a partícula se
encontra em um estado de superposição de todas as possibilidades dos resultados
de medidas ao mesmo tempo. No momento de nossa medição esta onda de
probabilidades se colapsa em um único
resultado. Por exemplo, queremos medir o valor do spin de uma determinada
partícula. Antes de efetuarmos a medida já sabemos que no caso do elétron podemos ter como resultado,
(simplificadamente), os valores ½ ou -1/2. Antes da medida estes valores seguem
“juntos”, numa onda de probabilidades, com 50% de chance que eu obtenha o valor
½ (positivo) e 50% de chance que eu obtenha o valor -1/2 (negativo).
Chegando ao tema do multiverso, o que temos hoje na Física
Quântica são algumas linhas de raciocínio, algumas interpretações diferentes do
que significa e do que acontece neste momento do colapso da onda de
possibilidades (ou probabilidades). A
interpretação adotada atualmente pela comunidade científica é a
interpretação de Copenhague. Ela diz que no
momento da medida temos como resultado apenas uma das possibilidades e todo o
restante, as outras possibilidades desaparecem, se aniquilam, ou como o próprio
termo diz, se colapsam.
Voltando ao exemplo do elétron, se no momento da medida, tenho como resultado o valor ½ a outra possibilidade simplesmente desaparece. Temos um resultado e isso é o que importa. O que acontece com as outras possibilidades não interessa para nós nesta abordagem. Todo este assunto introdutório que citei até agora é bastante complexo e recomento ao leitor que ainda não está familiarizado com ele leia os posts anteriores antes de prosseguir.
Os físicos Everett, Wheeler e Grahan, propuseram algo bastante diferente. Através de cálculos matemáticos consistentes, estes físicos defendem a ideia de que todas as possibilidades ocorrem simultaneamente, só que isso acontece em Universos Paralelos. Como seria isso? Vamos tomar como exemplo o famoso Gato de Shrödinger (veja o post http://sabedoriaquantica.blogspot.com.br/2013/06/fisica-quantica-para-todos-9.html) Este gato hipotético vive em uma caixa fechada que contém um vidro de veneno que tem 50% de chance de ser derramado e matar o pobre gato e 50% de chance de não ser derramado e o gato continuar vivo! Antes de abrir a caixa e observarmos, o gato vive em uma superposição e o estado do gato (por mais estranho que pareça!) é vivo E morto (ao mesmo tempo). Apenas no momento da observação é que teremos um estado definido para o gato, de vivo ou morto.
Voltando ao exemplo do elétron, se no momento da medida, tenho como resultado o valor ½ a outra possibilidade simplesmente desaparece. Temos um resultado e isso é o que importa. O que acontece com as outras possibilidades não interessa para nós nesta abordagem. Todo este assunto introdutório que citei até agora é bastante complexo e recomento ao leitor que ainda não está familiarizado com ele leia os posts anteriores antes de prosseguir.
Os físicos Everett, Wheeler e Grahan, propuseram algo bastante diferente. Através de cálculos matemáticos consistentes, estes físicos defendem a ideia de que todas as possibilidades ocorrem simultaneamente, só que isso acontece em Universos Paralelos. Como seria isso? Vamos tomar como exemplo o famoso Gato de Shrödinger (veja o post http://sabedoriaquantica.blogspot.com.br/2013/06/fisica-quantica-para-todos-9.html) Este gato hipotético vive em uma caixa fechada que contém um vidro de veneno que tem 50% de chance de ser derramado e matar o pobre gato e 50% de chance de não ser derramado e o gato continuar vivo! Antes de abrir a caixa e observarmos, o gato vive em uma superposição e o estado do gato (por mais estranho que pareça!) é vivo E morto (ao mesmo tempo). Apenas no momento da observação é que teremos um estado definido para o gato, de vivo ou morto.
Segundo a interpretação dos Muitos Mundos de Everett, Grahan
e Wheeler (ou dos Universos Paralelos), ao observarmos o gato morto, por
exemplo, o gato vivo também continua existindo, só que ele existe em uma outra
linha de Universo, em um Universo Paralelo. Esta ideia já foi bastante
explorada pelos filmes de Hollywood como, por exemplo, no filme “Efeito
Borboleta”. Vemos neste filme todas as realidade existindo simultaneamente e o
personagem principal consegue visitar várias situações diferentes dependendo
das escolhas que ele faz, ou seja, das observações, processos de medida,
colapsos, que ele faz como observador para determinadas situações chave em sua vida.
Voltando ao início de nossa conversa, o ponto crucial é "Como passamos do reino das possibilidades, que existe antes que a medição seja feita, ao resultado único revelado pela medição? Ou então dito de uma maneira mais geral, o que acontece com uma onda de probabilidade durante a medição que permite a conformação de uma realidade familiar, definida e única?"
Deixo para vocês esta pergunta, que é um dos pontos mais intrigantes e instigadores da Física atual!
Para saber mais:
"A Realidade Oculta - Universos Paralelos e as Leis Profundas do Cosmo". - Brian Greene
"Universo Autoconsciente". - Amit Goswami
Voltando ao início de nossa conversa, o ponto crucial é "Como passamos do reino das possibilidades, que existe antes que a medição seja feita, ao resultado único revelado pela medição? Ou então dito de uma maneira mais geral, o que acontece com uma onda de probabilidade durante a medição que permite a conformação de uma realidade familiar, definida e única?"
Deixo para vocês esta pergunta, que é um dos pontos mais intrigantes e instigadores da Física atual!
Para saber mais:
"A Realidade Oculta - Universos Paralelos e as Leis Profundas do Cosmo". - Brian Greene
"Universo Autoconsciente". - Amit Goswami
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